ClickBox solta o verbo para o Contracena
por Redação em Fev 28, 2008 em Capa, Revista Contracena
Um nome que vem chamando muito a atenção da cena paulistana nos últimos tempos é o projeto ClickBox, fomado pelo duo Marcos AS e Pedro Turra. Formado em Outubro de 2004, O Clickbox traz em suas apresentações um som com derivações do Techno e do House, com uma construção minimalista, mas sem perder o seu estilo próprio, mais “funky”.
A dupla esteve neste mês de Fevereiro na cidade maravilhosa se apresentando na festa Supernova do núcleo Frenetik Crew, e é lógico que nós do Contracena não poderíamos deixar de bater um papo com os rapazes sobre o projeto. Em nossa conversa, o duo fala sobre suas produções, suas preferências quanto à programas e sintetizadores de som, suas experiências, a importância da teoria musical para os DJs, sobre nosso hermanos argentinos e um de seus EPs de maior sucesso, o “Dirty Space”.
Confira Abaixo a nossa conversa com o ClickBox:
Contracena: Apesar de suas tracks seguírem a filosofia minimalista, elas não são secas em melodia como as demais. “Desafinados” é um som futurista com o embalo do House. Suas novas produções seguem este estilo ou vocês mudaram a vertente?
ClickBox: Nós gostamos de misturar, gostamos muito de sintetizadores, acaba sendo automática a inclusão de atmosferas e melodias em nossa música. Achamos importante que a música tenha um bom groove, de uns tempos pra cá nossa música ficou mais “funky”, as programações de bateria também, buscamos um estilo próprio, não queremos ser igual a ninguém
Contracena: O Influx ia além de um laptop e um midi controller. No Live-Act eram usados decks, sintetizadores, laptops entre outros elementos. Quais nuances estes instrumentos ligados analogicamente dão em relação ao som feito totalmente digitalmente? Os problemas com transporte justificam a digitalização de todos os synths e instrumentos?
ClickBox: Os intrumentos analógicos proporcionam um som mais interessante, além de ser mais prazeroso para a performamce. Costumamos dizer que eles fazem som de verdade e não de plástico, claro que nós também utilizamos muitos sofwares, mas a grande parte de nossos timbres vem dos analógicos. Gostamos dos dois, cada um tem o seu papel e personalidade, com certeza o problema com transporte justifica o uso de softwares ao vivo, não queremos transportar num avião um sintetizador de 1979, correndo o risco de danos irreparáveis. As vezes levamos synths menores mas na maioria das vezes gravamos o som deles e levamos em áudio e outras coisas simulamos com softwares.
Contracena: Marco, em seu trabalho como produtor musical você já remixou faixas de diversos artistas. Como foi essa experiência? Foi mais profissional, ou eram musicas que você gostava e resolveu dar a sua cara? Como é o seu processo de remixagem desde a música original até sua finalização?
ClickBox: Na maioria dos remixes que fizemos foi profissional, mas não aceitamos fazer o que não gostamos, temos que acreditar pelo menos um pouco no trabalho do artista. O processo é muito parecido com a nossa composição autoral, selecionamos o que gostamos e usamos da nossa forma, nunca usamos igual ao original, se não gostamos de nada, mudamos tudo e acaba virando uma versão, na maioria das vezes, temos que regravar a voz com o artista para encaixar em nossa estética, mas é como produzir uma música nossa.
Contracena: Vocês trabalham muito com o Ableton Live. Que possibilidades este software trouxe para as mixes?
ClickBox: O Ableton é um programa muito inteligente, intuitivo musicalmente e rápido de trabalhar. Para as nossas apresentações ao vivo foi a melhor coisa que surgiu , pois com ele não precisamos ficar presos a uma sequencia musical, reconstruimos as músicas ao vivo e não seguimos uma ordem, tudo rola de acordo com o clima do lugar onde estamos tocando.
Contracena: Muitos DJs atualmente têm muito pouco ou quase nenhum conhecimento de teoria musical (falando mais em um cunho local da cidade do Rio de Janeiro). Talvez por isso tenhamos muitos DJs que fazem overlay simples de 2 músicas apesar de conseguirem manipular o mixer muito bem. Qual a sua opinião sobre o conhecimento de teoria musical no ramo eletrônico tanto quanto para live acts quanto para DJs?
ClickBox: O conhecimento musical é importante para a base de um trabalho melhor e mais rápido. Se você sabe o porque daquilo que esta fazendo, com certeza o seu trabalho vai ser mais consistente. Nós damos importância a musicalidade, sempre que gravamos um synth, fazemos a performance ao vivo, tocamos e manipulamos ao vivo, depois editamos. Apenas sequências mais rápidas e impossíveis de serem tocadas por humanos são programadas, mas a maioria das coisas sao feitas a mão.
Contracena: Nossos “hermanos” argentinos estão em grande crescente na cena eletrônica, atingindo inclusive níveis internacionais e chegando aos principais clubes da Europa. Apesar de produções como as de Gui Boratto estarem em alta por lá, os artistas brasileiros ainda não tem o mesmo reconhecimento dos argentinos. Vocês acreditam que seja por uma questão de qualidade ou de oportunidade?
ClickBox: Acredito que pelos dois fatores. Na argentina existe uma cultura de música eletrônica mais forte que no Brasil, a informação acaba chegando mais rapidamente para eles e o fluxo de artistas que passam por lá também é diferente. Na maioria das vezes, os DJs e produtores acabam vindo tocar no Brasil por estarem passando por lá, tudo isso faz com que as pessoas que se interessem por produzir ou discotecar, tenham uma chance maior de obter a refência mais rápido do que os brasileiros, e assim fazer um intercâmbio de artistas. Para nós brasileiros é importante dizer que temos que procurar por um estilo próprio, os europeus não estão atrás de coisas iguais as que eles ja produzem, é importante ter um diferencial e procurar não copiar o que eles já fazem.
Contracena: O EP “Dirty Space” chegou a ficar no top 3 do gênero minimal no site da Beatport, ao lado de EPs de famosos artistas da Minus. Quando vocês produziram este trabalho acreditavam que fosse fazer tamanho sucesso? O EP abriu caminho para novas oportunidades? Vocês tem em mente lançar novas produções em breve?
ClickBox: Na verdade não planejamos esse EP, um amigo que trabalha no selo ingrooves escutou as tracks e pôs pilha para lançarmos um EP. Na época foi interessante pois em 3 semanas foram feitos uns mil downloads e isso para a venda digital de um artista totalmente desconhecido é bastante significante. Ficamos bem felizes com o resultado, fomos convidados por outros selos por causa deste trabalho. No ano passado lançamos 3 EP’s pelo selo 3liquidhz da Romenia e 1 Ep pelo selo espanhol Alertha. No momento finalizamos um novo EP que deve sair em breve por um selo bem legal.
Agradecemos ao ClickBox pelá ótima entrevista e ao núcleo Frenetik Crew por ter nos ajudado neste trabalho.

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